quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Muito ter!



A minha casa é bonita
A dele é mal tratada.
Tenho um jardim com flores
O dele tem uma cerca emaranhada.

Tenho sapatos muito belos
Ele anda com estragados chinelos.

Minha casa tem paredes pintadas
A dele tem lonas rasgadas.
Na minha casa a comida é farta
Na dele é regrada.

A cada dia me ponho a pensar:
Como posso meus bens aumentar?
Em quantas ações investir?
Quantas empresas construir?

O meu vizinho pensa:
Tenho de ir trabalhar
Minha enxada empunhar
Dinheiro tenho que arranjar
Para os legumes da sopa comprar.
Quanto ao que sobrar
Ei de doar!

Nossa sociedade concentra-se cada vez mais em acumular bens.
Os ideais de humildade e caridade se perdem nos ventos que vêm do norte.
É fácil percebermos os atos nobres dos outros, mas admirá-los não basta. Devemos reformar nossa forma de pensar e deixarmos de lado nosso egocentrismo exacerbado.

Toda matéria posso comprar
Meu vizinho todo sentimento pode conquistar.
Meus carros são minha vaidade
Meu vizinho apenas se orgulha de ter caridade.

Tudo que consigo tento acumular
Meu vizinho só pensa em doar.

Se um dia eu tudo perder
Muito mal vou ficar.
Não terei dinheiro
Não terei casa para morar.

Quem sabe meu vizinho
Que só agora estou a pensar
Não possa com carinho
Com um abraço me ajudar?

Cultivei minhas sementes da matéria
Guardei as sementes da fraternidade.
Quem sabe um dia não poderei recuperar tal ato
Na minha mais avançada idade?

Tenho muito e não tenho nada
Perderei minhas coisas aos centos.
Feliz é meu vizinho!
Enquanto ele ama
Eu vivo de lamentos.

Alef Caetano - 23/09/2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Metáforas de Uma Lua!!


Oh face que se míngua como a lua!
Deita-te lentamente sobre os corpos ao chão largados
Pisoteie estes corações que a vós recorrem
Cante uma fúnebre canção de dor.

Há lugares onde nos mostramos em faces lunáticas, brincamos de ser um camaleão, cantamos canções alegres para nos esquivar das situações que nos circundam.
Hoje as canções felizes não mais vibram pessoas com felicidade, mas escondem um mundo paralelo de desgraças.
Dor que tentamos negar; Morte que tentamos superar; Arte que ainda está por fazer; Vida e mais Vida a se perder!


-Oh lua!
Tu que estás a aparecer em tantas fases
Por que se recusa a mostrar-nos sua escura face?

-Caros mortais!
Existem coisas que não devem ser ditas
Existem coisas que não devem ser mostradas
Sábio é aquele que sabe guardar em segredo
As coisas que devem ser pensadas!


Alef Caetano - 21/09/2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Protesto!


Protesto contra sociedade cuja promiscuidade imunda acaba por cegar cada vez mais jovens.Sociedade que não pensa; que destrói sonhos não concretizados, que ainda pairam nas mentes dos jovens; que não possui senso crítico.
Pessoas que se odeiam sem sequer trocarem palavras, pessoas que matam por banalidades.Pessoas presas por não ter pão, pessoas livres para abusos de poder.
Paixões inferiores que assolam corações, que matam, que estupram a mente!Amor que cada vez é mais ausente em nosso ser. Sentimento banalizado nos tempos de hoje.
A expressão “Eu te amo” que um dia foi uma das mais lindas frases a serem ditas, hoje não passa de meras junções silábicas que formam uma palavra qualquer, que ao se juntar com outras palavras forma só mais uma frase.
Imundície é o que impera nas mentes da sociedade atual. Perde-se cada vez mais os ideais de caridade. A luz que um dia fora grande e resplandecente dá lugar a uma escuridão que cega.Escamas fecham nossos olhos para a paz, para a reconciliação, para o dar sem querer receber algo em troca.
A nova lei que proponho é a do Verdadeiro e Genuíno Amor, mas essa só pode ser implementada com a Caridade e a Fraternidade imperando nos corações e mentes do homem!

Alef Caetano - 13/08/2010

Liberdade


Vidas partidas
Lágrimas em olhares inocentes
Um afago mal intencionado
Um Carinho Deturpado

Uma vida desregrada
Um grito de ajuda

Ajuda para quem sofre, ajuda para quem faz sofrer.
O olhar do sujo se dilui em lágrimas, em remorso, em medo.
Se esconde, se aprisiona em um mundo só seu, um mundo de proteção.
Uma criança grita, um adolescente se cala. Suas vergonhas e suas vidas entram em jogo.
Seria a morte um remédio ou uma omissão?
A ajuda é um bem primordial. Virar as costas é só abrir a porta para um mundo pior.
Sofrimento não deve gerar sofrimento, mas sim causar uma luta a favor da libertação.

Libertemo-nos!!!


Alef Caetano - 27/08/2010