terça-feira, 2 de agosto de 2011

Perspectiva


O meu sopro não se limitará aos seus parâmetros, e transcenderá os sentimentos que ainda não sabes da existência. Farei com que sintas o desconhecido, e que viajes nos vossos mais tenros pensamentos.

Alef Caetano - 02/08/2011

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Pensamento


Aprisiono as parcelas vazias de minha vida em uma caixinha, para no futuro preenchê-las com a presença do inesperado propósito do mundo - a redenção.


Alef Caetano - 29/07/2011

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Aflição



Vi a felicidade em sua forma mais perversa e quis sentir seu sabor. Sem dúvida seria adocicado com um leve gosto de perigo no fim, mas o prazer seria uma constante.
Desta felicidade não provei, porém senti o sabor adocicado da felicidade que me faz agir como criança; eu gostei.
A gente nunca se contenta com o que tem. Sempre queremos mais, e eu preciso de mais. Preciso da primeira mencionada, a que fará de mim um homem!

"Cada coisa em seu tempo. Daqui a pouco não quer dizer que é amanhã."

Alef Caetano - 17/06/2011

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Um Progresso


A areia da ampulheta está pendendo e eu estou a cada dia mais irreconhecível. Demonstrando insensata imaturidade por fora, mas por dentro um maduro precoce. Estou lotado de idéias e de canções não tão melodiosas, mas intensas. Sem dúvida intrigantes!

O meu sentimento ininterrupto: Mesmo que eu quisesse que assim fosse, jamais o seria, uma vez que ele é uma onda que chega à costa, mas tem de voltar aos braços do mar. É interrompido pelos assobios do vento, se finda no sal do suor.

O cálice encostado à minha boca em sutil movimento, escondia ferocidade em meu paladar rudimentar, que agora se abranda no doce sabor das frutas, deixando para trás apenas a sombra de um ébrio inescrupuloso.

O entardecer não mais fere este peito com sentimentos atrozes e ferozes, mas alimenta minha vida enaltecendo as lembranças de momentos felizes, junto de minhas mais caras companhias.

O ininterrupto badalar do sino me força a lembrar que está na hora de começar mais uma vez o espetáculo. A luz contra meu rosto e o doce som de um tubo de metal é o que ainda me sustenta.

Quero ir além da matéria e dos sentimentos vis. Aspiro a grandeza de um homem que de tão humano não é considerado homem, pois o homem que conhecemos, já não passa de um mero animal.

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O sussurro dos mudos que jogam suas palavras ao ar, é compreendido pelos cegos que olham sem julgar.


Alef Caetano - 28/02/2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ademanes da Mente


Parecia uma viajem para o interior, passando pelos campos, vendo as árvores e a poeira subir do chão de terra vermelha, porém a única coisa vermelha que existia naquele momento era meu coração.
A excepcionalidade dos fatos e a facilidade em cair de joelhos sobre agulhas verticalizadas pelo ar me deixaram sem reação.
Poderia despir minha essência ilibada e partir para um mundo onde eu pudesse agarrar tudo o que quero, mas meu querer sonhador não transcende o querer daqueles que pouco querem ou nada sabem sobre o querer.
Este é um prólogo incógnito da mente de Um mal resolvido e muito compreensivo, mas pouco compreendido.
Aquele que internaliza tudo para não deixar sentimentos e reações ao léu do mundo, que há muito deixou de ser mundo e não passa de uma geóide habitada.

Alef Caetano - 23/02/2011

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Essência


Não vou me preocupar com essa casca que o tempo deteriora. Que me ames pela minha essência que te alcança através de minhas palavras.
Não medirei esforços para lhe acalentar com um vocábulo charmoso de palavras cadenciadas, nem me privarei de te punir com a ferocidade de um leão.
O leão que agora ruge é o mesmo que te domina, o que te satisfaz! O leão que agora corre atrás de seus erros, é o mesmo leão que se deliciou em prazeres!
Na casa que construo, os pilares são de suor, pois sofro calado para não lhe ensurdecer com os estrondos de minha dor.
Sou aquele que te surpreende em um abraço que nunca imaginarias ganhar. Aquele que rasga as tuas vestes em movimentos doces. O que puxa seus lindos cabelos com o intuito de mergulhá-la em delírios profundos. O que te recita textos em um só olhar. Sou o corpo que pesa sobre o teu. Sou a brisa que sacode seus cabelos.
Tudo isso é o fruto de minha essência, tudo o que a casca não transmite; o suor positivo do teu corpo que molha o meu; a casa de alvenaria construída por um mestre.
Não temas minha presença nem a ignore, pois sempre estarei ai. Sou o ar que respiras, sou o chão que pisas, as palavras que escutas, o odor da relva, o rugido do leão.
Sou o domínio de seus sentimentos. Sou essência!

Alef Caetano - 03/01/2011

Clamor


A sola dos meus pés ardem com a acidez do solo que piso, e nada mais atravessa minha garganta.
A pedra está no mesmo lugar, embora ela já fora pulsante.
Imploro por um movimento. Imploro por um sopro que me faça viver. Imploro um carinho que até hoje não recebi. Imploro que construas em mim a tua casa e que dela eu seja um conviva.
Rios de água salobra criei em meu quintal, e as ervas daninhas cresceram em minha pele com velocidade jamais vista.
As minhas raízes estão se desprendendo. Regue esta terra com amor, para que eu possa fixar-me nela e daqui não mais sair.
O meu solo é agreste, e minha pele é areia de ampulheta.
Um sopro qualquer me mata, mas o teu sopro traz-me a vida.
Balanças meus galhos com o vosso hálito, e faz-me sentir o doce sabor das maçãs!
Não deixe-me viver neste lugar de eterna solidão, nem me deixes tornar um ébrio de taberna. Faz-me teu par e sejamos felizes!
O que imploro é vida. Não me deixes morrer! Pareço, mas não sou imortal.
Meus galhos estão torcidos com os desgostos do tempo.
As folhas estão pálidas, estou secando.
Não me deixes sofrer. Tens o poder de curar-me, mas se não for me animar, venha e me derrote.
Não me deixes sofrer neste estado calamitoso!
Conquistei o luar, mas não quero a noite como lar.
Dá-me tua luz, seja meu sol.
Estou aqui, respirando a poeira que cobre o céu.
Lembre-se! Um dia fui quem enxugou suas lágrimas. Quem vos colocou nos braços e deu a ti a vida que tanto desejavas, o amor que precisavas para terdes tuas raízes fixadas ao solo.
Não me deixes, pois o que vês está a se perder. Estou indo com o tempo, estou perdendo-me. Estou pendendo-me no ar. Fundindo-me à poeira.
Não me reduzas ao pó, pois estes ramos clamam por amor!

Alef Caetano - 21/12/2010

Poema Infantil: Aves a falar


Fui andando pelo bosque
Escutando o que as aves diziam.
Hora era: bom-dia!
Hora era: quem pia?

O Trinca-ferro
Já não trinca nem madeira oca de cupim,
E o Cuco está encucado com as horas!

O Real-Albatroz,
De quem nunca ouvi a voz,
Decidiu andar no meio do povo.
Do caviar a pão com ovo.

Coitado do Perdiz,
Mal sabe o que diz.
O Acauã
Que era seu aprendiz,
Enjoou de ratazana.
Agora que é vegetariano
Só quer comer banana.

A Coruja
Só dorme suja.
A coitada louca está!
Compete com a cotovia
Quem mais pulgas terá!

O Sabiá já não sabe de nada,
De tudo se esqueceu.
Está com amnésia,
Mal sabe o que no almoço comeu.

Meu passeio na floresta
Não é algo de assustar!
Quem nunca viu um Perdiz falar?
Quem nunca viu Coruja pulgas cultivar?

No mais profundo saber
Não sei quem louco está!
Se são os bichos
Ou se sou eu que os ouço falar!

Alef Caetano - 20/11/2010