quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Desejos



Um olhar vale mais que palavras
Teus olhos são uma incógnita
O negror do piche no alvo papiro
A branca flor que faz nanquim

O meu desejo se dilui no luar
O nosso arde em chamas

Se meus desejos pegam fogo
Dou-lhes água
Se os teus inflamam
Dou-lhes vida

O olhar desejoso que se completa
A distância sempre igual
O alguém que reclama de fome
E não come o que quer.

Alef Caetano - 23/11/2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Incensar



O sol escaldava.
Pisei na pedra
Meu pé queimou.
Vi um machado
Que o trovão empunhou.
Um brado soltou,
Justiça ecoou.

Num cavalo vem gritando
Com a espada balançando
Demandas vem quebrando
Guerreiro se aproximando.

Vi vovô no pé da serra
Falando de sua fé.
Acocorado ao pé do borralho
Benzendo com guiné!

O índio gritou,
O arco empunhou.
Coruja cantou,
O corvo voou.

Vi meu amiguinho descendo
Pulando de felicidade.
Doce como o sapoti,
Ligeiro como o colibri.

Água da pedra rolou,
Linda sereia vai cantar.
A cachoeira vai se calar
De amor Nossa Senhora vai chorar.

Alecrim, benjoim e alfazema.
Presente de Deus para incensar!
Olha a fumaça subindo
Pro mal sair e a felicidade entrar.

Olha a pérola no mar!
Presente para a Senhora que está a cantar.
Que leve minhas mirongas
E traga amor sem delongas.

A brisa virou tufão,
A dona tempestade vai chegar!
Vai lavar seus bentos filhos
Com o poder dos raios e do ar.

Na cruz do meu caminho,
Encontrei um homem e uma mulher
Que não paravam de dançar.
Ele fumava charuto
E ela com os cabelos a tremular.

Cheirou guiné!
A todos saravá!
É hora de incensar,
Pro mal sair e a felicidade entrar!

Alef Caetano - 03/11/2010