quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Incensar



O sol escaldava.
Pisei na pedra
Meu pé queimou.
Vi um machado
Que o trovão empunhou.
Um brado soltou,
Justiça ecoou.

Num cavalo vem gritando
Com a espada balançando
Demandas vem quebrando
Guerreiro se aproximando.

Vi vovô no pé da serra
Falando de sua fé.
Acocorado ao pé do borralho
Benzendo com guiné!

O índio gritou,
O arco empunhou.
Coruja cantou,
O corvo voou.

Vi meu amiguinho descendo
Pulando de felicidade.
Doce como o sapoti,
Ligeiro como o colibri.

Água da pedra rolou,
Linda sereia vai cantar.
A cachoeira vai se calar
De amor Nossa Senhora vai chorar.

Alecrim, benjoim e alfazema.
Presente de Deus para incensar!
Olha a fumaça subindo
Pro mal sair e a felicidade entrar.

Olha a pérola no mar!
Presente para a Senhora que está a cantar.
Que leve minhas mirongas
E traga amor sem delongas.

A brisa virou tufão,
A dona tempestade vai chegar!
Vai lavar seus bentos filhos
Com o poder dos raios e do ar.

Na cruz do meu caminho,
Encontrei um homem e uma mulher
Que não paravam de dançar.
Ele fumava charuto
E ela com os cabelos a tremular.

Cheirou guiné!
A todos saravá!
É hora de incensar,
Pro mal sair e a felicidade entrar!

Alef Caetano - 03/11/2010

Um comentário:

  1. Ah, como tuas palavras sopram um ventinho brando aqui nesse meu coração...
    Esses ventos... se juntassemos nossas letras formariam um vendaval de sentimentos... Amigo
    tuas palavras São intensas!.

    ''É hora de incensar,
    Pro mal sair e a felicidade entrar!''
    Tem coisa mais bonita que Isso?

    Beijos meu querido'.

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