domingo, 31 de outubro de 2010

Memórias e Saudades



Não queria sair sem lhe beijar
Sonho em ter você.

Num dia se doa para mim
No outro vem para tudo furtar.

O chão gelado me ludibriou,
O corpo quente me aqueceu.
No chão agora piso,
E o corpo me dá facadas.

Não devia ter lhe dito,
Não devia ter lhe entorpecido.
Queria que minha taça
De amor transbordasse,
Mas a sua desejava carne.

Os odores e as lembranças!
Eu sempre pensei como criança!

Sou o hipócrita que ama,
O que se regozija e teme,
A faca de meu suicídio.

Meu olhar sempre foi um apelo!

O grito da carne ensurdece!
Por que não tapei meus ouvidos?
Os meus tímpanos não tinham cicatrizes
Foi chegada a sua hora.

O amor platônico faz com que as pessoas que o têm, se sintam “menos” que a pessoa amada. Mas nunca somos “menos” se somos capazes de amar.
Me disseram que amor e decepção andam de mãos dadas, e ambos tem uma parceira chamada dor. Porém amar é bom, uma vez que o verdadeiro amor não machuca. O verdadeiro amor edifica!
Já a paixão fere de morte, mas estas feridas, uma vez cicatrizadas, são um troféu para aqueles que as têm.
Em relacionamentos que acabam, freqüentemente somos tomados por memórias e sentimentos de saudade.
As memórias sempre latejam e a saudade é aterradora, mas ai daqueles que as ignoram!
Memórias e saudade são inevitáveis. Podem ser um remédio para a alma ou podem ser um veneno. Isso será determinado pela quantidade.

Quando a saudade é ruim
E vem para machucar,
Devemos a encarar!
Quem não tem nessa vida
Barreiras para pular?




Alef Caetano - 29/10/10

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Ao som da Cotovia


As paredes já estão de pé, não existem móveis, mas não é algo difícil de confeccionar.

A cotovia cantou e fez ressoar o seu som barroco.

A porta emite um som belo, como se houvessem corpos se chocando contra a mesma.

O céu estava nublado, chovia, a noite caiu, mas a penumbra acalentou-me.

A casa se iluminou, o chão vibrou, a parede se aqueceu e tudo estava consumando-se.

A cotovia murmurou ao longe, como se não quisesse que a escutassem.

Mas que belo som emite esse pássaro, como seria agradável poder cantar tão bem como ele!

O tempo não parava, era hora de apagar a luz da casa e sentir o ar úmido de chuva que se encontrava no seu exterior. Era hora de trancar em mente tudo o que havia se manifestado naqueles cômodos e partir.

O ar estava frio, mas o calor que vinha do âmago de meu corpo e mente soube aquecer-me.

Quando o frio vem, memórias me vêm à cabeça e sinto que não estou só.

Mas, sei que a cotovia tem muito mais a cantar, sei que a casa tem muito mais a decorar, as portas muito mais a ranger, e o chão muito mais a tremer.

Alef Caetano - 02/03/2010

domingo, 3 de outubro de 2010

Eterna espera



Hoje a grama estava molhada
O sol não brilhava
Mas o dia estava quente.

Eu segurava um pequeno objeto
Pulsante e sôfrego
Que deixava minhas mãos rubras.

Vaguei pela relva macia
Olhei a copa das árvores
Escutei o frenético cantar dos pássaros.

A bela dama não veio ao meu encontro
Ela estava a admirar-se no espelho
Estava se aperfeiçoando
Pensando em como me enlouquecer!

Quando pensava em seus alvos cabelos
Tremulando ao vento
Eu sentia o frio do ártico.
Ele estava corroendo minhas vísceras.

Num gélido e resoluto galopar
Vejo a tempestade se aproximar
O céu em luzes se rasgar
E estrondos a me ensurdecer.

Perdido estou!
Não sei qual rumo tomar
Perdi toda minha sapiência.
Sim, minha sabedoria se esvaiu!

Senti meu corpo pender no ar
Como se eu quisesse um vôo alçar.
O chão não amorteceu minha queda
Senti como se cada osso fosse quebrar.
Minhas estruturas eram feitas de vidro
Tudo estava a estilhaçar.

Ela não veio!
Só queria me enlouquecer,
Mas estarei sempre a lhe esperar.

Sinto que serei apenas um corpo
Banhado pela chuva, sol e luar!

Nessa eterna espera
A fadiga não chegará!
Eu não vou me desesperar!
Quem sabe ela não virá?
Quem sabe ela não virá?

Alef Caetano - 03/09/2010

Reflexão reflexo


A luz cegando-me está
A brisa corta-me as vestes
Minha língua se desfaz em areia
O meu pulso já não pulsa.

Luto contra sentimentos
Tento brincar como criança
Mas o mundo não mais quer rir.

O canto se esvai na rosa dos ventos
Os pesos em meus pés latejam
As correntes nos meus pulsos machucam
A mesa de tortura está posta.

A casa está caindo como se cai a rosa
O rio está se esvaindo em sangue
A corrente de sangue é turva.

A morte é minha única certeza
Fico atento no findar de meus dias.
As pedras não mais machucarão meus pés
E minhas provações serão pesadas.

Como sofreram por mim!
Como eu terei de sofrer!
Tudo o que causei só está voltando pra mim!

Nada foi em vão
E a prova disso é o que estou sentindo:
Uma ausência com tanta presença!
Um pesar, uma vontade de me curvar!

Não posso desanimar
Isso não!
Preciso criar forças
Quem disse que seria fácil?

Não sou um mártir
Tampouco quero piedade.
A minha ferida vai cicatrizar.

O mundo vai colher seus frutos
Vai sentir o que fez sentir.
Uma vida de conseqüências!


Alef Caetano - 03/o9/2010