sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Ao som da Cotovia


As paredes já estão de pé, não existem móveis, mas não é algo difícil de confeccionar.

A cotovia cantou e fez ressoar o seu som barroco.

A porta emite um som belo, como se houvessem corpos se chocando contra a mesma.

O céu estava nublado, chovia, a noite caiu, mas a penumbra acalentou-me.

A casa se iluminou, o chão vibrou, a parede se aqueceu e tudo estava consumando-se.

A cotovia murmurou ao longe, como se não quisesse que a escutassem.

Mas que belo som emite esse pássaro, como seria agradável poder cantar tão bem como ele!

O tempo não parava, era hora de apagar a luz da casa e sentir o ar úmido de chuva que se encontrava no seu exterior. Era hora de trancar em mente tudo o que havia se manifestado naqueles cômodos e partir.

O ar estava frio, mas o calor que vinha do âmago de meu corpo e mente soube aquecer-me.

Quando o frio vem, memórias me vêm à cabeça e sinto que não estou só.

Mas, sei que a cotovia tem muito mais a cantar, sei que a casa tem muito mais a decorar, as portas muito mais a ranger, e o chão muito mais a tremer.

Alef Caetano - 02/03/2010

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