domingo, 3 de outubro de 2010

Reflexão reflexo


A luz cegando-me está
A brisa corta-me as vestes
Minha língua se desfaz em areia
O meu pulso já não pulsa.

Luto contra sentimentos
Tento brincar como criança
Mas o mundo não mais quer rir.

O canto se esvai na rosa dos ventos
Os pesos em meus pés latejam
As correntes nos meus pulsos machucam
A mesa de tortura está posta.

A casa está caindo como se cai a rosa
O rio está se esvaindo em sangue
A corrente de sangue é turva.

A morte é minha única certeza
Fico atento no findar de meus dias.
As pedras não mais machucarão meus pés
E minhas provações serão pesadas.

Como sofreram por mim!
Como eu terei de sofrer!
Tudo o que causei só está voltando pra mim!

Nada foi em vão
E a prova disso é o que estou sentindo:
Uma ausência com tanta presença!
Um pesar, uma vontade de me curvar!

Não posso desanimar
Isso não!
Preciso criar forças
Quem disse que seria fácil?

Não sou um mártir
Tampouco quero piedade.
A minha ferida vai cicatrizar.

O mundo vai colher seus frutos
Vai sentir o que fez sentir.
Uma vida de conseqüências!


Alef Caetano - 03/o9/2010

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