domingo, 3 de outubro de 2010

Eterna espera



Hoje a grama estava molhada
O sol não brilhava
Mas o dia estava quente.

Eu segurava um pequeno objeto
Pulsante e sôfrego
Que deixava minhas mãos rubras.

Vaguei pela relva macia
Olhei a copa das árvores
Escutei o frenético cantar dos pássaros.

A bela dama não veio ao meu encontro
Ela estava a admirar-se no espelho
Estava se aperfeiçoando
Pensando em como me enlouquecer!

Quando pensava em seus alvos cabelos
Tremulando ao vento
Eu sentia o frio do ártico.
Ele estava corroendo minhas vísceras.

Num gélido e resoluto galopar
Vejo a tempestade se aproximar
O céu em luzes se rasgar
E estrondos a me ensurdecer.

Perdido estou!
Não sei qual rumo tomar
Perdi toda minha sapiência.
Sim, minha sabedoria se esvaiu!

Senti meu corpo pender no ar
Como se eu quisesse um vôo alçar.
O chão não amorteceu minha queda
Senti como se cada osso fosse quebrar.
Minhas estruturas eram feitas de vidro
Tudo estava a estilhaçar.

Ela não veio!
Só queria me enlouquecer,
Mas estarei sempre a lhe esperar.

Sinto que serei apenas um corpo
Banhado pela chuva, sol e luar!

Nessa eterna espera
A fadiga não chegará!
Eu não vou me desesperar!
Quem sabe ela não virá?
Quem sabe ela não virá?

Alef Caetano - 03/09/2010

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