segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Clamor


A sola dos meus pés ardem com a acidez do solo que piso, e nada mais atravessa minha garganta.
A pedra está no mesmo lugar, embora ela já fora pulsante.
Imploro por um movimento. Imploro por um sopro que me faça viver. Imploro um carinho que até hoje não recebi. Imploro que construas em mim a tua casa e que dela eu seja um conviva.
Rios de água salobra criei em meu quintal, e as ervas daninhas cresceram em minha pele com velocidade jamais vista.
As minhas raízes estão se desprendendo. Regue esta terra com amor, para que eu possa fixar-me nela e daqui não mais sair.
O meu solo é agreste, e minha pele é areia de ampulheta.
Um sopro qualquer me mata, mas o teu sopro traz-me a vida.
Balanças meus galhos com o vosso hálito, e faz-me sentir o doce sabor das maçãs!
Não deixe-me viver neste lugar de eterna solidão, nem me deixes tornar um ébrio de taberna. Faz-me teu par e sejamos felizes!
O que imploro é vida. Não me deixes morrer! Pareço, mas não sou imortal.
Meus galhos estão torcidos com os desgostos do tempo.
As folhas estão pálidas, estou secando.
Não me deixes sofrer. Tens o poder de curar-me, mas se não for me animar, venha e me derrote.
Não me deixes sofrer neste estado calamitoso!
Conquistei o luar, mas não quero a noite como lar.
Dá-me tua luz, seja meu sol.
Estou aqui, respirando a poeira que cobre o céu.
Lembre-se! Um dia fui quem enxugou suas lágrimas. Quem vos colocou nos braços e deu a ti a vida que tanto desejavas, o amor que precisavas para terdes tuas raízes fixadas ao solo.
Não me deixes, pois o que vês está a se perder. Estou indo com o tempo, estou perdendo-me. Estou pendendo-me no ar. Fundindo-me à poeira.
Não me reduzas ao pó, pois estes ramos clamam por amor!

Alef Caetano - 21/12/2010

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